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Quem Compra Imóvel em Guarujá? Perfil Real do Comprador (CRECI-SP)

Dados reais do CRECI-SP sobre quem compra imóvel na Baixada Santista. 46% pagam à vista, 64% escolhem apartamento, faixa de R$ 301-350 mil domina. Perfil, descontos e o que os números revelam.

O comprador da Baixada Santista não é quem você imagina

A pesquisa do CRECI-SP de agosto de 2025, realizada com 158 imobiliárias da Baixada Santista, desenha um perfil de comprador bem diferente do estereótipo de "investidor rico de São Paulo". O comprador típico busca um apartamento de 2 quartos entre 51 e 100 m², na faixa de R$ 301 mil a R$ 350 mil, em região central. E quase metade paga à vista.

Esses dados cobrem 9 municípios (Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente) e refletem o mercado secundário — imóveis usados. O mercado de lançamentos, coberto pelo SECOVI-SP, conta outra história. Este artigo cruza as duas fontes para mostrar o retrato completo.

Vendas à vista

46%

Fonte: CRECI-SP Ago 2025

Apartamentos

64%das vendas

Fonte: CRECI-SP Ago 2025

Faixa mais frequente

R$ 301-350 mil

Fonte: CRECI-SP Ago 2025

Região central

43,5%das vendas

Fonte: CRECI-SP Ago 2025

Região nobre

30,6%das vendas

Fonte: CRECI-SP Ago 2025

Com desconto

66%saem abaixo do anunciado

Fonte: CRECI-SP Ago 2025


O que o comprador compra: apartamento de 2 quartos

O mercado da Baixada Santista é dominado por apartamentos. Das vendas registradas em agosto de 2025, 64% foram apartamentos e 36% casas.

Apartamentos vendidos

CaracterísticaValor
Dormitórios mais vendidos2 dorm (50,0%), 1 dorm (35,3%)
Área útil mais vendida51-100 m² (67,6%)

Casas vendidas

CaracterísticaValor
Dormitórios mais vendidos2 dorm (63,2%)
Área útil mais vendida51-100 m² (52,6%)

Fonte: CRECI-SP — Pesquisa de Mercado, Baixada Santista, Ago 2025

O padrão é claro: o comprador típico busca um imóvel compacto e funcional. Apartamentos de 1 e 2 dormitórios somam 85,3% das vendas de apartamentos. Nas casas, 2 dormitórios dominam com 63,2%.

Isso faz sentido no contexto do litoral: muitos compradores são aposentados ou casais sem filhos em casa, que não precisam de 3 ou 4 quartos. Quem busca espaço maior tende a optar por casas, mas mesmo entre elas o padrão é modesto.


Quanto pagam: a faixa de R$ 300 mil a R$ 400 mil concentra o mercado

A distribuição de preços mostra onde está o grosso das transações:

Faixa de preço% das vendas
Até R$ 200 mil13,2%
R$ 201-300 mil22,6%
R$ 301-400 mil30,2%
R$ 401-500 mil13,2%
R$ 501-700 mil15,1%
Acima de R$ 1 milhão5,7%

Fonte: CRECI-SP — Pesquisa de Mercado, Baixada Santista, Ago 2025

A faixa unitária mais frequente é R$ 301-350 mil (17,0%), seguida de R$ 251-300 mil e R$ 351-400 mil (13,2% cada). Três em cada dez compradores gastam entre R$ 300 mil e R$ 400 mil.

Na prática, com R$ 350 mil na Baixada Santista, o comprador consegue um apartamento de 2 quartos entre 60 e 80 m² em bairro central — como Vicente de Carvalho em Guarujá, ou equivalentes em Praia Grande e São Vicente. Na orla nobre, esse orçamento compra um studio ou 1 quarto em andar baixo.

O mercado de lançamentos é outro mundo

Enquanto o CRECI-SP mostra um comprador de R$ 300-400 mil no mercado de usados, o SECOVI-SP revela que 86% dos lançamentos em Guarujá em 2024 foram médio-alto padrão, com ticket médio de R$ 630 mil e 43% das unidades acima de R$ 900 mil. O mercado de lançamentos na Baixada Santista tem ticket médio de ~R$ 928 mil (CBN Santos / SECOVI-SP, 2025). São dois mercados distintos: o de usados atende o comprador médio; o de novos mira o investidor de segunda residência.


Onde compram: centro e bairros nobres dominam

A distribuição geográfica das vendas é reveladora:

Região% das vendas
Central43,5%
Nobre30,6%
Demais regiões25,9%

Fonte: CRECI-SP — Pesquisa de Mercado, Baixada Santista, Ago 2025

Quase 75% das vendas acontecem em regiões centrais ou nobres. No contexto de Guarujá, "central" inclui Pitangueiras, Astúrias e o centro comercial; "nobre" inclui Enseada (orla), Tombo e condomínios fechados.

Esse dado derruba a ideia de que o litoral vende principalmente imóveis populares na periferia. O comprador da Baixada busca localização — e paga por ela.


Como pagam: 46% à vista, 70% sem banco

A forma de pagamento é o dado mais surpreendente da pesquisa:

Modalidade%
À vista46%
Direto com proprietário24%
Financiamento (outros bancos)16%
Financiamento (CAIXA)12%
Consórcio2%

Fonte: CRECI-SP — Pesquisa de Mercado, Baixada Santista, Ago 2025

70% das transações não envolvem banco nenhum (46% à vista + 24% direto com proprietário). Apenas 28% passam pelo sistema financeiro formal. Isso tem implicações diretas:

Por que tantos pagam à vista? Três hipóteses sustentadas pelos dados:

  1. Perfil de segunda residência: quem já tem imóvel na capital e compra no litoral não quer (ou não consegue) financiar um segundo imóvel. A entrada exigida para segundo imóvel é de 30-50%, e o FGTS geralmente não pode ser usado. Pagar à vista elimina a burocracia.

  2. Investidores: com a Selic a 14,75% ao ano (março de 2026), as taxas de financiamento imobiliário estão entre 11,19% e 11,79% ao ano. Para quem tem capital, pagar à vista e negociar desconto pode ser mais vantajoso do que financiar.

  3. Aposentados e pessoas com patrimônio acumulado: o litoral paulista atrai compradores mais velhos, que vendem um imóvel na capital e compram com o valor integral, sem precisar de crédito.

24% 'direto com proprietário' inclui risco

Uma em cada quatro transações na Baixada Santista é feita sem intermediação bancária — diretamente entre comprador e vendedor. Essa modalidade tem riscos reais: imóveis com irregularidade na matrícula, ausência de escritura pública, e contratos de gaveta que não garantem a propriedade. Se optar por essa modalidade, exija escritura pública e registro imediato. Detalhes no nosso guia de documentação para compra de imóvel.


Descontos: 66% dos imóveis saem abaixo do preço anunciado

Um dos dados mais úteis da pesquisa CRECI-SP para quem está comprando:

Desconto sobre o anunciado% das vendas
Sem desconto (valor anunciado)34,0%
Até 5% abaixo35,8%
6 a 10% abaixo20,8%
11 a 15% abaixo5,7%
16 a 20% abaixo3,8%

Fonte: CRECI-SP — Pesquisa de Mercado, Baixada Santista, Ago 2025

Dois em cada três compradores pagam menos do que o preço anunciado. A faixa de desconto mais comum é de até 5%, mas 30% conseguem descontos superiores a 5%.

Na prática, isso significa que:

  • Em um imóvel anunciado por R$ 400.000, o preço médio de fechamento pode ficar entre R$ 360.000 e R$ 380.000
  • Quem paga à vista tem mais poder de negociação — e esse desconto frequentemente supera o rendimento que o dinheiro teria em renda fixa no mesmo período
  • Imóveis que ficam mais tempo anunciados tendem a aceitar descontos maiores

Quando o desconto é maior

Imóveis de segunda residência que ficam fechados tendem a aceitar descontos maiores — o proprietário tem custo de condomínio, IPTU e manutenção correndo sem uso. Em Guarujá, onde mais de 40% dos imóveis são estimados como segunda residência, essa dinâmica é especialmente forte fora da temporada de verão (setembro a novembro é o período com menos concorrência).


Dois mercados em um: usados vs lançamentos

Os dados do CRECI-SP (mercado de usados) e do SECOVI-SP (lançamentos) mostram dois perfis completamente diferentes operando no mesmo território:

IndicadorUsados (CRECI-SP)Lançamentos (SECOVI-SP)
Ticket médioR$ 301-350 mil (faixa mais frequente)~R$ 928 mil (BS) / R$ 630 mil (Guarujá)
Forma de pagamento46% à vistaMajoritariamente financiado
PúblicoMorador local + investidor de entradaInvestidor de segunda residência
Tipologia2 dorm, 51-100 m²2-3 dorm, padrão médio-alto
Imóveis econômicos (até R$ 350k)~48% das vendas1,8% dos lançamentos

Fontes: CRECI-SP Ago 2025 / SECOVI-SP 2024 / CBN Santos 2025

Essa dualidade explica por que Guarujá parece barato e caro ao mesmo tempo. O mercado de usados é acessível, democrático, com opções a partir de R$ 150 mil. O mercado de lançamentos é voltado para outro público — e os preços de M² dos novos empreendimentos na orla podem ser 2 a 3 vezes maiores que os dos usados nas mesmas regiões.


O que os números dizem sobre quem compra

Cruzando os dados de todas as fontes, o perfil que emerge é:

Comprador tipo 1 — Morador ou aposentado (estimativa: 40-50% do mercado de usados)

  • Compra apartamento de 2 quartos em região central
  • Faixa de R$ 200 mil a R$ 400 mil
  • Paga à vista (venda de imóvel anterior) ou direto com proprietário
  • Busca funcionalidade, não luxo
  • Negocia desconto (5-10% é o padrão)

Comprador tipo 2 — Investidor de segunda residência (estimativa: 30-40%)

  • Compra apartamento na orla ou em bairro nobre
  • Faixa de R$ 500 mil a R$ 1 milhão
  • Paga à vista para evitar burocracia de financiamento de segundo imóvel
  • Pretende usar na temporada e possivelmente alugar no resto do ano
  • Mais sensível à localização e à vista mar

Comprador tipo 3 — Primeiro imóvel financiado (estimativa: 20-30%)

  • Usa financiamento bancário (CAIXA ou outros)
  • Faixa de R$ 250 mil a R$ 400 mil
  • Pode usar FGTS (se for primeira residência)
  • Compra em periferia ou região central mais afastada da orla

Estimativas de perfil, não dados verificados

As categorias acima são estimativas editoriais baseadas no cruzamento dos dados do CRECI-SP (formas de pagamento, faixas de preço, localização) com o contexto do mercado. O CRECI-SP não publica o perfil demográfico do comprador (idade, renda, se é morador ou não). Essas inferências são plausíveis mas não devem ser tratadas como dados verificados.


O mercado caiu no início de 2026 — contexto necessário

A mesma pesquisa do CRECI-SP mostra que vendas e aluguéis tiveram queda no início de 2026. O dado isolado parece preocupante, mas há contexto:

  • É sazonal: o início do ano é historicamente mais fraco para vendas, com o pico de decisões de compra acontecendo entre setembro e fevereiro
  • Juros elevados: a Selic a 14,75% encarece o crédito imobiliário e reduz a demanda financiada
  • Não indica desaquecimento estrutural: segundo especialistas consultados pela A Tribuna, a queda é pontual e não reflete mudança de tendência

Fonte: A Tribuna — Queda início 2026

A leitura equilibrada: o mercado da Baixada Santista cresceu 15,6% no Q4 de 2025, bateu recorde de VGV de R$ 2,98 bilhões nos primeiros 9 meses de 2025 (SECOVI-SP), e a construção civil em Guarujá cresceu 38% em área autorizada. O início de 2026 é uma pausa, não uma reversão.


Fontes

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Fontes dos dados: IBGE (Censo 2022), SSP-SP (2023), INEP (2021), Prefeitura de Guarujá. Informações de caráter educativo e informativo.

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