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Mercado Imobiliário de Guarujá: 13 Anos de Dados (2011-2024)

Série histórica completa do mercado imobiliário de Guarujá com dados SECOVI-SP/Brain. Lançamentos, vendas, VGV e comparativo com Santos, Praia Grande e São Vicente.

O mercado que ninguém te mostra

Guarujá é apresentada por corretores como "o próximo boom do litoral". Por pessimistas, como "cidade turística sem futuro imobiliário". Nenhuma das narrativas se sustenta quando confrontada com 13 anos de dados do SECOVI-SP.

A série histórica real conta outra coisa: um mercado cíclico, com períodos de euforia e retração, que teve um ponto de inflexão em 2024. Guarujá não é o maior mercado da Baixada Santista — é o quarto em volume. Mas o ticket médio dos lançamentos é o mais alto da região, e a absorção pelo mercado é consistente.

Lançamentos 2024 (jan-set)

552 unidades

Fonte: SECOVI-SP / Brain

VGV lançamentos 2024

R$ 345 mi

Fonte: SECOVI-SP / Brain (jan-set)

Participação na BS (lançamentos)

16%

Fonte: SECOVI-SP / Brain 2024

Volume de transações 2024

R$ 3,2 bi

Fonte: ISTI Prefeitura

Valorização 6 anos

+80,6%

Fonte: M² médio 2020-2026

Série histórica

2011-2024

Fonte: SECOVI-SP / Brain / Robert Zarif


A evolução em números: 2011 a 2024

Fase 1: O boom do pré-sal (2011-2014)

Entre 2011 e 2014, a Baixada Santista vivia a euforia do pré-sal. A expansão do Porto de Santos prometia triplicar a capacidade operacional. Construtoras apostaram pesado na região — e Guarujá recebeu parte desse investimento.

PeríodoLançamentos GuarujáPart. BaixadaContexto
abr/2011 (acum.)2.269 unidades11,2%Boom do pré-sal, MCMV em expansão
mar/2011-mar/20128586,0%Santos e Praia Grande dominam
mar/2012-mar/20139366,0%Estabilidade, 2 dorm lidera
jun/2011-jun/20141.5158,2%R$ 9,1 bi investidos na BS total

Nesse período, Guarujá lançou principalmente apartamentos de 2 e 3 dormitórios — o segmento clássico de segunda residência do paulistano. A participação oscilava entre 6% e 11% da Baixada, bem atrás de Praia Grande (45-51%) e Santos (32-49%). O Guarujá era um coadjuvante no mercado regional.

Fase 2: A retração (2015-2019)

A crise econômica de 2015-2016 atingiu o mercado imobiliário do litoral em cheio. Juros altos (Selic acima de 14%), recessão e queda de renda travaram as vendas. A Baixada Santista saiu de 18.610 unidades lançadas em 36 meses (2014) para 14.548 (2015) — queda de 22%.

PeríodoLançamentos GuarujáPart. BaixadaContexto
jun/2012-mai/20151.69211,6%Início da retração
jul/2013-jun/2016~2.31215,0%Crise econômica, Selic a 14,25%
jul/2014-jun/2017~1.28514,0%Estoque alto, vendas fracas

Guarujá manteve participação relativa (até subiu para 15%) porque as outras cidades retraíram mais. Mas o mercado como um todo estava parado. O SECOVI registrava estoques de 6 mil unidades encalhadas na Baixada em 2016 — um terço acima de 2014.

Fase 3: Recuperação e pandemia (2019-2021)

A queda da Selic a partir de 2019 (chegando a 2% em 2020) reativou o mercado. E a pandemia, paradoxalmente, acelerou a demanda por litoral — trabalho remoto transformou segunda residência em residência principal para muitas famílias paulistanas.

PeríodoLançamentos GuarujáVendasOferta FinalContexto
jul/2019-jun/2020 (36m)1.7691.159610VGV regional: R$ 2 bi (+71%)
jul/2018-jun/2021 (36m)1.157860297Oferta baixa = demanda absorveu

O dado mais revelador: em 2021, Guarujá tinha apenas 297 unidades em oferta — o menor estoque da série. As vendas superaram os lançamentos. A oferta secou. Quem queria comprar encontrava pouco disponível, e os preços subiram. A valorização de 21% no M² em 2021 não foi especulação — foi escassez real de produto.

A Baixada como um todo vendeu 5.084 unidades no acumulado julho/2019 a junho/2020 — alta de 64% sobre o período anterior. O VSO (Vendas Sobre Oferta) bateu 53,7%. O VGV totalizou R$ 2 bilhões em 12 meses.

Fase 4: Normalização e novo ciclo (2022-2024)

Com a Selic de volta a 13,75% em 2022-2023, o mercado esfriou. Mas não voltou ao patamar da crise de 2015 — a demanda estrutural por litoral permaneceu.

PeríodoLançamentosVendasOfertaVGV Vendas
2022 (anual)581424622R$ 207,5 mi
2023 (anual)312455395R$ 236,3 mi
jan-set 2024552331610R$ 206,1 mi

O dado de 2023 é fascinante: Guarujá vendeu mais do que lançou (455 vendas vs 312 lançamentos). O estoque caiu de 622 para 395 unidades. O mercado absorveu o produto disponível mesmo com juros altos. Isso sugere demanda reprimida real, não especulação.

Em 2024, os lançamentos voltaram com força: 552 unidades em 9 meses, contra 312 no ano todo de 2023. O 1T 2024 foi atípico — Guarujá respondeu por 65% de todos os lançamentos da Baixada no trimestre (416 de 638 unidades), indicando a chegada de empreendimentos grandes.

Atenção ao 1T 2024

416 unidades lançadas em um trimestre — 65% da Baixada inteira — é um dado atípico. Provavelmente reflete um ou dois empreendimentos de grande porte sendo registrados simultaneamente, não uma tendência sustentável. Usar esse trimestre como referência de crescimento seria enganoso. O acumulado jan-set (552 unidades, 16%) é mais representativo.


Guarujá vs vizinhas: quem domina o mercado

Em volume de unidades (2023 anual)

IndicadorGuarujaSantosPraia Grande
Lançamentos312 (6%)1.806 (37%)2.518 (52%)
Vendas455 (10%)1.534 (33%)2.250 (48%)
Oferta Final395 (8%)1.237 (26%)2.859 (60%)
São Vicente200 (4%)460 (10%)312 (6%)

Como ler esta tabela

Colunas: Guarujá / Santos / Praia Grande. Linha "São Vicente": lançamentos / vendas / oferta. Fonte: SECOVI-SP / Brain, 2023 anual.

Praia Grande domina o volume com folga (52% dos lançamentos, 48% das vendas). Santos é segundo. Guarujá é o menor dos quatro mercados em unidades — apenas 6% dos lançamentos em 2023.

Em valor (R$ milhões, 2023 anual)

CidadeLançamentos R$MMVendas R$MMOferta R$MM
Santos2.762,7 (63%)2.374,1 (59%)1.564,5 (43%)
Praia Grande1.413,3 (32%)1.267,6 (32%)1.734,7 (47%)
Guarujá157,4 (4%)236,3 (6%)261,0 (7%)
São Vicente69,3 (2%)127,5 (3%)117,0 (3%)
Total4.402,74.005,53.677,2

Santos domina o VGV de forma esmagadora — 63% dos lançamentos em valor, 59% das vendas. O motivo: Santos concentra empreendimentos de alto padrão e 1 dormitório compacto (estúdios de R$ 400-800 mil), que elevam o VGV por unidade.

Guarujá em 2023 representou apenas R$ 157 milhões em lançamentos e R$ 236 milhões em vendas. É um mercado pequeno em termos absolutos.

Em jan-set 2024: a virada

CidadeLançamentosPart.VGV Lanc.Part.
Praia Grande1.85352%R$ 1.865,3 mi55%
Santos86424%R$ 1.005,1 mi30%
Guarujá55216%R$ 345,0 mi10%
São Vicente2868%R$ 146,1 mi4%

Guarujá triplicou sua participação: de 6% (2023) para 16% dos lançamentos em 2024. O VGV dos lançamentos saltou de R$ 157 milhões para R$ 345 milhões. É o maior salto entre as quatro cidades.


O ticket médio: Guarujá vende mais caro

O dado mais relevante para investidores não é o volume — é o ticket médio. Dividindo VGV pelo número de unidades:

CidadeTicket médio lançamentos (2023)Ticket médio vendas (2023)
SantosR$ 1.529 milR$ 1.547 mil
GuarujáR$ 504 milR$ 519 mil
Praia GrandeR$ 561 milR$ 563 mil
São VicenteR$ 347 milR$ 277 mil

Santos é outlier — estúdios e 1 dormitório compactos de alto valor distorcem a média. Guarujá e Praia Grande têm tickets médios similares (~R$ 500-560 mil), mas com perfis diferentes: Guarujá vende mais 2-3 dormitórios para veranistas; Praia Grande vende mais 2 dormitórios econômicos.

Em jan-set 2024, o ticket médio de lançamentos em Guarujá subiu para R$ 625 mil (R$ 345 mi / 552 unidades) — 24% acima de 2023, sinalizando lançamentos de padrão mais alto.


O que a tipologia revela

A série histórica do SECOVI mostra um padrão consistente em Guarujá:

2 dormitórios dominam em todos os períodos — entre 45% e 60% dos lançamentos e vendas. É o produto-padrão do veranista paulistano: apartamento funcional, custo de manutenção razoável, boa liquidez para aluguel de temporada.

3 dormitórios são o segundo segmento (19-25%). Voltados para famílias que buscam moradia de fato, ou veranistas com mais espaço. Ticket mais alto, liquidez menor.

Econômico (MCMV): Guarujá teve 595 unidades econômicas entre 2019-2021 — concentradas em Vicente de Carvalho e áreas periféricas. Depois disso, o segmento praticamente desapareceu. Em Q3 2025, apenas 1,8% das vendas da Baixada Santista foram de imóveis econômicos (até R$ 350 mil).

4 dormitórios: marginal (0-4%). Concentrado em Jardim Acapulco e orla premium. Poucos lançamentos, alto valor unitário.

Por que 2 dormitórios domina

O 2 dormitórios é o "doce spot" do litoral: barato o suficiente para ser segunda residência de classe média-alta paulistana, pequeno o suficiente para não pesar no condomínio e na manutenção, e grande o suficiente para alugar por temporada com boa diária. É o produto com melhor liquidez e menor risco para investidores.


O que os dados dizem para quem quer investir

Os sinais positivos

  1. Demanda reprimida real: em 2023, vendas superaram lançamentos (455 > 312). O estoque caiu 36% (622 → 395). Isso não é especulação — é absorção.
  2. Valorização confirmada: M² subiu 80,6% em 6 anos. ISTI da prefeitura confirma volume de R$ 3,2 bi em transações em 2024.
  3. Reativação em 2024: lançamentos triplicaram em participação (6% → 16%). Ticket médio subiu 24%. Construtoras voltaram a apostar em Guarujá.
  4. Baixada Santista em recorde: 73 mil unidades vendidas no Interior+Baixada em 2025, VGV de R$ 37 bi (+22%). Guarujá surfou essa onda.

Os sinais de atenção

  1. Mercado pequeno: Guarujá é o quarto de quatro cidades. 312 lançamentos em 2023 contra 2.518 de Praia Grande. Qualquer empreendimento grande distorce as estatísticas.
  2. Volatilidade alta: participação oscila entre 6% e 65% por trimestre. Poucos empreendimentos, impacto desproporcional.
  3. Sensibilidade a juros: 2023 (Selic 13,75%) reduziu lançamentos a 312 unidades — menor da série recente. O mercado de Guarujá depende de crédito acessível para funcionar.
  4. Estoque voltando: oferta final subiu de 395 (dez/2023) para 610 (set/2024). Se os lançamentos continuarem e as vendas não acompanharem, o estoque pode pressionar preços.

O risco que os otimistas ignoram

O 1T 2024 com 416 unidades lançadas (65% da Baixada) é dado atípico, não tendência. Se o mercado não absorver esse volume, Guarujá terá estoque alto e lançamentos em desaceleração — exatamente o cenário de 2015-2017. Investir com base em um trimestre excepcional é um erro clássico.


Perguntas frequentes

Depende do horizonte e do perfil. A valorização de 80,6% em 6 anos é real e confirmada por dados fiscais. A demanda absorveu mais do que foi lançado em 2023 (455 vendas vs 312 lançamentos). Mas é um mercado pequeno (6-16% da Baixada), volátil e sensível a juros. Para investimento de longo prazo (5-10 anos) em 2 dormitórios bem localizados, os dados são favoráveis. Para especulação de curto prazo, os riscos são altos. (Fonte: SECOVI-SP / Brain 2011-2024, Prefeitura LAI)
Não. Santos domina o VGV (63% dos lançamentos em valor em 2023) e Praia Grande domina o volume (52% dos lançamentos em unidades). Guarujá é o quarto mercado da Baixada, com 6-16% de participação dependendo do período. O diferencial é o ticket médio — o imóvel lançado em Guarujá tende a ser de padrão mais alto que Praia Grande e São Vicente. (Fonte: SECOVI-SP / Brain 2023-2024)
Porque o mercado é pequeno. Em 2022, foram 581 unidades lançadas. Em 2023, apenas 312. No 1T 2024 sozinho, foram 416 — provavelmente um ou dois empreendimentos grandes sendo registrados. Em mercados pequenos, um único empreendimento pode representar metade da oferta anual. Isso gera volatilidade nos números, mas não significa que o mercado é instável — significa que a amostra é pequena. (Fonte: SECOVI-SP / Brain)
Apartamentos de 2 dormitórios, consistentemente entre 45% e 60% das vendas em todos os períodos analisados (2011-2024). É o produto-padrão do veranista paulistano: funcional, com custo de manutenção razoável e boa liquidez para aluguel de temporada. O segundo segmento é 3 dormitórios (19-25%). Imóveis de 4 dormitórios são marginais (0-4%), concentrados em Jardim Acapulco e orla premium. (Fonte: SECOVI-SP / Brain)
Os fundamentos são favoráveis: demanda reprimida (estoque baixo em 2023), valorização sustentada, reativação de lançamentos em 2024 e Baixada Santista em recorde histórico de vendas (2025). Mas o mercado é cíclico e sensível a juros. A crise de 2015-2017 derrubou lançamentos por anos. A Selic atual e as condições de crédito são as variáveis mais importantes para o futuro. Nenhum portal imobiliário pode prometer crescimento — os dados mostram tendência, não garantia.

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Fontes dos dados: IBGE (Censo 2022), SSP-SP (2023), INEP (2021), Prefeitura de Guarujá. Informações de caráter educativo e informativo.

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