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Mortes no Trânsito em Guarujá: O Risco que Ninguém Fala

Guarujá registrou 34 mortes no trânsito em 2024, alta de 36%. Motociclistas são 31 das vítimas. O trânsito mata mais que o crime — e nenhum portal imobiliário menciona isso.

O fato: 34 mortes no trânsito em 2024, alta de 36%

Enquanto os homicídios em Guarujá caíram 27% e a cidade se tornou a mais segura do Litoral Sul em criminalidade violenta, o trânsito foi na direção oposta: 34 mortes em 2024, contra 25 em 2023 — aumento de 36%.

A taxa de 13,26 mortes por 100 mil habitantes coloca Guarujá na 8ª posição entre os 9 municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista. Para comparação, a RMBS como um todo teve queda de 2,7% no mesmo período (250 mortes em 2024 vs 257 em 2023). Guarujá é exceção negativa.

Mortes no trânsito 2024

34

Fonte: Relatório Plano Diretor / SEPLAN

Mortes no trânsito 2023

25

Fonte: Relatório Plano Diretor / SEPLAN

Variação

+36%

Fonte: Cálculo sobre dados SEPLAN

Taxa / 100k hab

13,26

Fonte: Relatório Plano Diretor / SEPLAN

Homicídios / 100k hab

2,71

Fonte: SSP-SP — menor do Litoral Sul

Vítimas em moto

31

Fonte: Relatório Plano Diretor / SEPLAN

O perfil das vítimas

ModalMortes% do total
Motociclistas3148%
Ciclistas1422%
Pedestres1320%
Ocupantes de carro35%

Faixas etárias mais atingidas: 20-29 anos e 40-44 anos. 80% das vítimas são homens.


A intervenção: por que esse dado é mais importante que a taxa de homicídios

Portais imobiliários falam de segurança como sinônimo de criminalidade. "Bairro seguro" significa bairro com poucos furtos. Essa leitura é incompleta e, no caso de Guarujá, perigosa.

O trânsito mata mais que o crime

Com 2,71 homicídios por 100 mil habitantes e 13,26 mortes no trânsito por 100 mil, o risco estatístico de morrer no trânsito em Guarujá é quase 5 vezes maior que o de ser vítima de homicídio. Nenhum guia de mudança para o litoral menciona isso.

Motocicleta é o veículo do trabalhador

31 das mortes no trânsito envolvem motociclistas. A faixa etária (20-29 e 40-44 anos) e o perfil (80% masculino) apontam para deslocamento urbano de trabalho, não turismo ou lazer. Guarujá tem uma economia baseada em serviços (67% do PIB) com remuneração média de R$ 3.155 — perfil que depende de moto como transporte principal.

O dado cruzado: enquanto a cidade celebra a queda da criminalidade (e com razão), o modal de transporte que sustenta sua força de trabalho está matando mais do que o crime que ela combateu.

A Baixada desceu, Guarujá subiu

A RMBS como um todo reduziu mortes no trânsito em 2,7%. Guarujá subiu 36%. Isso sugere problema local, não tendência regional: infraestrutura viária deficiente, gargalos no acesso à sede (túnel Vila Zilda, Av. Dom Pedro I, Av. Des. Plínio Carvalho Pinto identificados no Plano Diretor), e fiscalização insuficiente no trânsito de bairros periféricos.

O dado que muda a conversa sobre segurança

Se você está avaliando Guarujá pelo critério de "segurança", o trânsito deveria pesar mais na decisão do que a criminalidade. A criminalidade está em queda estrutural. O trânsito está em alta. E diferente do furto oportunista — que afeta patrimônio — o trânsito mata.


Risco e oportunidade: o que isso significa para quem avalia a mudança

O risco é concentrado, não generalizado

As mortes no trânsito não se distribuem uniformemente. A concentração de motociclistas (48% das vítimas) e as faixas etárias (20-44 anos) sugerem que o risco é maior em vias de fluxo de trabalhadores — acessos a Vicente de Carvalho, Santos e áreas industriais — do que nas orlas turísticas onde a velocidade é naturalmente menor.

Para quem mora em bairros como Tombo, Astúrias ou Guaiúba e se desloca pouco de carro ou moto, o risco é significativamente menor que a média. Para quem trabalha fora do bairro e usa motocicleta, o risco é real e crescente.

Consequência de segunda ordem: a regulamentação de e-bikes

A Lei 5.404/2025 regulamentou bicicletas elétricas e patinetes em Guarujá. Lida isoladamente, parece regulação de mobilidade. Lida no contexto de 34 mortes no trânsito com 48% envolvendo motos, a e-bike aparece como alternativa viável para deslocamentos curtos — mais segura, mais barata e regulamentada. A topografia plana de Guarujá favorece essa substituição nos bairros centrais.

Tendência

Os dados parciais do período seguinte apontam queda: de 38 para 28 mortes (janeiro a outubro, vs mesmo período do ano anterior). Se confirmada, a reversão pode indicar que o pico de 2024 foi excepcional. Mas com apenas um período de referência, é cedo para afirmar tendência.


Veredito

O trânsito é o risco de segurança mais subestimado de Guarujá. Mata quase 5 vezes mais que o crime, afeta desproporcionalmente motociclistas jovens (a força de trabalho da cidade), e piorou enquanto a criminalidade melhorou.

Para quem avalia a mudança: pergunte como você vai se deslocar. Se for a pé, bicicleta ou carro em bairro turístico, o risco é baixo. Se for de moto para trabalho fora do bairro, o risco é real — e crescente. A escolha do modal de transporte pode ser mais determinante para sua segurança do que a escolha do bairro.


Perguntas frequentes

Em termos estatísticos, sim. A taxa de mortes no trânsito (13,26 por 100 mil) é quase 5 vezes maior que a de homicídios (2,71 por 100 mil). A criminalidade está em queda; o trânsito subiu 36% em 2024 enquanto a RMBS caiu 2,7%. (Fonte: Relatório Plano Diretor / SEPLAN)
Motociclistas representam 48% das mortes (31 de 64 no período completo analisado), seguidos por ciclistas (22%) e pedestres (20%). Faixas etárias mais atingidas: 20-29 e 40-44 anos. 80% são homens. O perfil aponta para trabalhadores em deslocamento, não turistas.
O Plano Diretor identifica gargalos viários no acesso à sede, túnel Vila Zilda, Av. Dom Pedro I e Av. Des. Plínio Carvalho Pinto. A concentração de acidentes tende a seguir os eixos de deslocamento de trabalhadores. Bairros turísticos com velocidade naturalmente menor (Tombo, Astúrias, Guaiúba) têm risco proporcionalmente menor.
Dados parciais do período seguinte apontam queda (de 38 para 28 mortes, janeiro a outubro). Se confirmada, pode indicar que o pico de 2024 foi excepcional. Mas um período de referência não é suficiente para confirmar tendência. A criação da Secretaria de Mobilidade Urbana (Lei 5.199/2024) e a regulamentação de veículos elétricos (Lei 5.404/2025) são sinais institucionais positivos.

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Fontes dos dados: IBGE (Censo 2022), SSP-SP (2023), INEP (2021), Prefeitura de Guarujá. Informações de caráter educativo e informativo.

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