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Segurança em Guarujá: A Retomada nos Dados (2023-2025)

Análise histórica completa da segurança em Guarujá com dados SSP-SP de 2023 a 2025. Comparativo com Santos, Praia Grande, São Vicente, capital e interior. Roubos caíram 53%, homicídios 51%.

O dado que ninguém esperava

Em 2023, Guarujá registrou 2.954 roubos. Em 2025, foram 1.370. Queda de 53,6% em dois anos. Homicídios dolosos caíram de 29 (2024) para 14 (2025) — redução de 51,7% em um único ano.

Não é projeção, estimativa ou meta de gabinete. São dados extraídos das planilhas mensais oficiais da SSP-SP, cobrindo as 4 delegacias de Guarujá (001 DP, 002 DP, DDM e DM), 12 meses de cada ano, conferidos mês a mês.

Este artigo compila a série histórica completa 2023-2025, compara Guarujá com as cidades vizinhas, a capital e o interior — e mostra onde a melhora é real, onde ela tem fragilidades e o que ainda precisa melhorar.

Roubos 2023 → 2025

-53,6%

Fonte: SSP-SP (2.954 → 1.370)

Homicídios 2024 → 2025

-51,7%

Fonte: SSP-SP (29 → 14)

Prisões efetuadas 2025

1.409

Fonte: SSP-SP (+20,8% vs 2024)

Inquéritos instaurados 2025

2.382

Fonte: SSP-SP (+32,1% vs 2024)


A série histórica completa: 2023, 2024 e 2025

Crimes patrimoniais: a queda mais expressiva

IndicadorGuarujaSantosPraia Grande
Roubo - outros2.9541.8211.370
Roubo de veículo875547
Roubo de carga92229
Furto - outros4.4123.7023.889
Furto de veículo267201221

Como ler esta tabela

As colunas mostram Guarujá em 2023 / 2024 / 2025 (não são cidades diferentes). Fonte: planilhas mensais SSP-SP, soma das 4 delegacias de Guarujá.

A queda em roubos é inequívoca: -38,4% de 2023 para 2024, e mais -24,8% de 2024 para 2025. Em três anos, Guarujá perdeu mais da metade dos seus roubos registrados. Roubo de carga praticamente desapareceu (de 92 para 9 — queda de 90%).

Furtos, por outro lado, apresentam comportamento diferente. Caíram 16% entre 2023 e 2024, mas subiram 5% em 2025. Furto de veículo seguiu a mesma tendência: queda de 25% em 2024, seguida de alta de 10% em 2025. Furtos não acompanharam a melhora dos roubos — e isso merece atenção.

Crimes violentos: homicídios em queda pela metade

Crime202320242025Var 24→25
Homicídio doloso232914-51,7%
Tentativa de homicídio3122-29,0%
Estupro (total)909574-22,1%
Lesão corporal dolosa870988+13,6%

Homicídios subiram em 2024 (de 23 para 29, +26%) e despencaram em 2025 (para 14, -51,7%). Com 14 homicídios dolosos em 12 meses numa cidade de 322 mil habitantes, Guarujá atingiu a taxa de 4,3 por 100 mil — abaixo da média estadual e da média do interior paulista.

Estupros caíram 22%. Tentativas de homicídio caíram 29%.

O dado que destoa: lesão corporal dolosa subiu 13,6% (de 870 para 988 ocorrências). É o único indicador de crime contra a pessoa que piorou.

Lesão corporal: piorou ou melhorou o registro?

Lesão corporal dolosa é crime que depende fortemente de queixa. A alta de 13,6% pode refletir aumento real de agressões, ou aumento na disposição da vítima de registrar ocorrência — especialmente após a integração da DDM (Delegacia da Mulher) na estrutura da Secretaria de Defesa. Sem desagregar os dados por tipo de relação (violência doméstica vs conflito entre desconhecidos), não é possível separar os efeitos.


O comparativo regional: Guarujá vs vizinhas em 2025

A pergunta que todo candidato a morador faz: como Guarujá se compara a Santos, Praia Grande, São Vicente e Bertioga? Os dados abaixo usam taxas por 100 mil habitantes para comparação justa (populações diferentes).

Homicídio doloso por 100 mil hab (2025)

IndicadorGuarujaSantosPraia Grande
Guarujá4,314 casosPop. 322.408
Santos2,511 casosPop. 433.656
Praia Grande6,321 casosPop. 330.845
São Vicente5,420 casosPop. 368.355
Bertioga4,53 casosPop. 66.673

Como ler esta tabela

Colunas: taxa por 100k hab / número absoluto / população base. Fonte: SSP-SP 2025, populações IBGE Censo 2022.

Santos é mais segura em homicídios (2,5/100k). Mas Guarujá (4,3) está abaixo de Praia Grande (6,3), São Vicente (5,4) e Bertioga (4,5). Em 2024, Guarujá tinha a segunda pior taxa da região (9,0/100k). Em 2025, caiu para a segunda melhor — atrás apenas de Santos.

Roubos por 100 mil hab (2025)

IndicadorGuarujaSantosPraia Grande
Guarujá424,91.370 casos-53,6% desde 2023
Santos342,91.487 casos-26,5% desde 2023
Praia Grande645,62.137 casos-30,3% desde 2023
São Vicente337,41.243 casos-32,3% desde 2023

Guarujá está no meio do pelotão em roubos: abaixo de Praia Grande (645,6) mas acima de Santos (342,9) e São Vicente (337,4). O diferencial é a velocidade da queda: -53,6% desde 2023, contra -26% a -32% nas vizinhas. Nenhuma outra cidade da região reduziu roubos tão rápido.

Furtos por 100 mil hab (2025)

CidadeTaxa/100kAbsoluto
Santos1.343,75.827
Guarujá1.206,23.889
Bertioga1.156,6771
Praia Grande1.135,93.758
São Vicente602,72.220

Em furtos, Guarujá está na segunda posição — atrás de Santos. A taxa de 1.206 por 100 mil ainda é alta, puxada pelo perfil turístico da cidade (furtos de oportunidade em praias e áreas comerciais). Santos surpreende com a maior taxa de furtos da região (1.343,7) apesar de ser considerada "mais segura" no imaginário popular.

O paradoxo de Santos

Santos tem menos homicídios e menos roubos que Guarujá. Mas tem mais furtos — tanto em números absolutos (5.827 vs 3.889) quanto per capita (1.343 vs 1.206 por 100k). Isso sugere que "segurança" é multidimensional: Santos é mais segura em crimes violentos, mas não necessariamente em crimes patrimoniais não-violentos. Quem diz "Santos é mais segura que Guarujá" está simplificando.


Guarujá vs Capital: a comparação que surpreende

São Paulo capital é frequentemente citada como referência. Os dados de 2025 mostram que Guarujá está mais próxima da capital do que a percepção sugere — e em alguns indicadores, está melhor.

Taxa por 100 mil habitantes (2025)

CrimeGuarujáCapital SP
Homicídio doloso4,34,3
Roubo - outros424,9~843,9
Furto - outros1.206,2~1.100
Lesão corporal dolosa306,4~348,4

Em homicídios, Guarujá tem exatamente a mesma taxa que a capital paulista: 4,3 por 100 mil habitantes.

Em roubos, Guarujá é significativamente melhor: 424,9 contra ~844 na capital — metade da taxa de São Paulo. Quem sai de SP para Guarujá reduz pela metade a probabilidade estatística de ser roubado.

Em furtos, Guarujá perde: 1.206 contra ~1.100 na capital. A diferença é o perfil turístico — furtos em praias e comércio sazonal inflam o número.


A produtividade policial: mais prisões, mais inquéritos

A queda no crime não aconteceu por acaso. Os dados de produtividade policial mostram uma polícia mais ativa em Guarujá.

Flagrantes lavrados

876

Fonte: SSP-SP 2025 (+23,9%)

Presos em flagrante

902

Fonte: SSP-SP 2025 (+27,2%)

Presos por mandado

655

Fonte: SSP-SP 2025 (+9,9%)

Total de prisões

1.409

Fonte: SSP-SP 2025 (+20,8%)

Inquéritos instaurados

2.382

Fonte: SSP-SP 2025 (+32,1%)

Tráfico de entorpecentes

282

Fonte: SSP-SP 2025 (+34,9%)

A correlação é direta: mais prisões e mais inquéritos coincidem com menos crimes. Flagrantes subiram 24%, prisões por mandado subiram 10%, e apreensões por tráfico subiram 35%.

O indicador que destoa: armas de fogo apreendidas caíram 45% (de 153 para 84). Pode refletir menos armas em circulação (positivo) ou menos operações focadas em armamento (negativo). Sem dados adicionais, não é possível determinar.


O filme em câmera lenta: de 2023 a 2025

O que melhorou consistentemente (2023 → 2025)

Indicador20232025Variação
Roubos totais3.1331.426-54,5%
Roubo de carga929-90,2%
Furtos totais4.6794.110-12,2%
Homicídio doloso2314-39,1%
Estupros9074-17,8%

O que piorou ou estagnou

Indicador20242025VariaçãoObservação
Furto - outros3.7023.889+5,1%Reverteu queda de 2024
Furto de veículo201221+10,0%Reverteu queda de 2024
Lesão corporal dolosa870988+13,6%Pode ser mais registro
Armas apreendidas15384-45,1%Ambíguo

O detalhamento mensal de 2025: onde o crime se concentra

MêsRoubosFurtosHomicídios
Jan1463472
Fev1223242
Mar1643222
Abr1303020
Mai1042981
Jun983020
Jul852932
Ago893330
Set943370
Out1173260
Nov1123481
Dez1093574

Roubos concentram-se no verão (jan-mar) e caem para o piso entre junho e agosto. Furtos são mais estáveis ao longo do ano, com leve alta no fim do ano (novembro-dezembro). Homicídios não apresentam padrão sazonal claro — os 4 casos de dezembro fogem da tendência do ano e merecem acompanhamento em 2026.

Dezembro de 2025: anomalia ou tendência?

Dezembro concentrou 4 dos 14 homicídios do ano — quase 30% em um único mês. Pode ser coincidência estatística (números pequenos geram variância alta) ou sinal de que a temporada/festas de fim de ano são fator de risco para violência letal. Será necessário comparar com dezembro de 2024 e 2026 para identificar padrão.


O que explica a retomada

A melhora nos indicadores de segurança não tem uma causa única. Três fatores convergiram:

1. Tecnologia de monitoramento

A integração com Smart Sampa e Muralha Paulista — sistemas estaduais de videomonitoramento com reconhecimento de placas e identificação facial — criou uma rede de vigilância que não existia antes de 2024. Câmeras foram ampliadas em áreas turísticas e de maior incidência criminal.

2. Reestruturação institucional

A Lei Municipal 5.199/2024 criou a Secretaria de Defesa e Convivência Social, com mandato formal de inteligência em segurança pública, prevenção da violência e coordenação entre PM, Polícia Civil e Guarda Municipal. A GCM foi integrada à nova secretaria com efetivo ampliado.

3. Aumento real da atividade policial

Os números não mentem: +24% em flagrantes, +27% em presos, +32% em inquéritos. Mais operações, mais investigações, mais resultados. Apreensões por tráfico de entorpecentes subiram 35% — indicando foco no crime organizado.


Os pontos cegos: o que esses dados não dizem

1. Subnotificação

Furto oportunista em praia raramente gera Boletim de Ocorrência. A Pesquisa Nacional de Vitimização (Ministério da Justiça, 2013) estimava que apenas 20-30% dos furtos são notificados. Em cidades turísticas, o percentual tende a ser menor. A queda registrada em furtos pode subestimar ou superestimar a realidade.

Para homicídios, subnotificação é irrelevante — cadáver é registrado. A queda de 51,7% é dado robusto.

2. Deslocamento do crime

Quando uma cidade investe em monitoramento e as vizinhas não, o crime pode migrar em vez de desaparecer. Sem dados regionais consolidados no mesmo período, não é possível afirmar se os roubos que deixaram de acontecer em Guarujá foram para São Vicente, Praia Grande ou simplesmente não aconteceram.

3. População flutuante

Todas as taxas por 100 mil habitantes usam a população fixa (322 mil). Na temporada, Guarujá recebe até 2 milhões de pessoas. Se usássemos a população real presente, as taxas seriam 6x menores no verão. Isso distorce a comparação com cidades como Santos, que tem menor flutuação.

4. Lesão corporal subindo

A alta de 13,6% em lesão corporal dolosa é o indicador mais preocupante. Se reflete aumento real de agressões (não apenas mais registros), é uma tendência que precisa de atenção — especialmente porque lesão corporal é frequentemente associada a violência doméstica.

A honestidade exige publicar os dados ruins

Furtos subiram 5%. Lesões corporais subiram 14%. Armas apreendidas caíram 45%. Dezembro de 2025 concentrou 4 homicídios. Publicamos esses dados com a mesma transparência dos positivos porque é assim que se constrói credibilidade. Um site que só mostra o que melhora não é jornalismo de dados — é marketing.


O que isso significa para quem quer morar em Guarujá

A narrativa "Guarujá é perigosa" está desatualizada. Os dados de 2023 a 2025 mostram uma retomada real e documentada:

  • Roubos caíram pela metade em dois anos — queda mais rápida que qualquer cidade vizinha
  • Homicídios caíram 51% em 2025 — Guarujá tem a mesma taxa da capital paulista (4,3/100k)
  • Produtividade policial subiu em quase todos os indicadores — mais prisões, mais inquéritos, mais flagrantes
  • Guarujá é mais segura que Praia Grande e São Vicente em homicídios

Os fatores de risco que merecem atenção:

  1. Furtos não acompanharam a melhora — estáveis ou em leve alta, concentrados em áreas turísticas
  2. Lesão corporal dolosa subiu 14% — precisa de monitoramento
  3. Sazonalidade — verão continua sendo o período de maior incidência
  4. Trânsito — mortes no trânsito subiram 36% em 2024 e são hoje mais perigosas que o crime para moradores

Para quem está decidindo se muda ou não: segurança deixou de ser o fator decisivo contra Guarujá. Outros indicadores — falta d'água, saúde pública, emprego — pesam mais na decisão hoje do que a criminalidade.


Perguntas frequentes

Depende do indicador. Santos tem menos homicídios (2,5 vs 4,3 por 100k) e menos roubos (342,9 vs 424,9 por 100k). Mas Santos tem mais furtos: 1.343,7 vs 1.206,2 por 100 mil. 'Segurança' não é uma dimensão única. Em crimes violentos, Santos lidera. Em crimes patrimoniais não-violentos, Guarujá está ligeiramente melhor. (Fonte: SSP-SP 2025)
Sim, em quase todos os indicadores de 2025. Homicídios: Guarujá 4,3 vs Praia Grande 6,3 por 100k. Roubos: 424,9 vs 645,6. Lesão corporal: 306,4 vs 487,0. O único indicador em que Praia Grande é melhor é furto de veículo (45,9 vs 68,6 por 100k). (Fonte: SSP-SP 2025, populações IBGE 2022)
A queda em roubos é provavelmente real. Roubo (com ameaça ou violência) tem taxa de notificação muito maior que furto — a vítima tende a registrar B.O. porque precisa para seguro, bloqueio de cartão, etc. A queda de 53,6% em dois anos, combinada com o aumento de 24% em flagrantes e 20% em prisões, indica redução real da atividade criminosa, não apenas mudança no registro. Para furtos, o ceticismo é mais justificado.
Sim. Em 2025, ambas registraram 4,3 homicídios por 100 mil habitantes. Em 2024, Guarujá tinha 9,0/100k — mais que o dobro da capital. A queda de 51,7% em um ano é a maior da Baixada Santista. (Fonte: SSP-SP 2025)
Parcialmente. Furtos caíram 16% entre 2023 e 2024, mas subiram 5% em 2025 (de 3.702 para 3.889). Furto de veículo seguiu o mesmo padrão: -25% em 2024, +10% em 2025. A tendência de longo prazo (2023 vs 2025) é de queda moderada (-12%), mas a reversão em 2025 pede acompanhamento. Furtos são o elo mais fraco da retomada de segurança. (Fonte: SSP-SP)
Janeiro a março concentram mais roubos (média de 144/mês vs 100/mês no restante do ano). Furtos são mais estáveis, com leve alta em novembro-dezembro. Homicídios não têm padrão sazonal claro, mas dezembro de 2025 foi atípico com 4 dos 14 casos do ano. Fora de temporada (abril a novembro), os indicadores melhoram significativamente. (Fonte: SSP-SP 2025, detalhamento mensal)

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Fontes dos dados: IBGE (Censo 2022), SSP-SP (2023), INEP (2021), Prefeitura de Guarujá. Informações de caráter educativo e informativo.

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