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IDH de Guarujá: O Que os Dados Revelam Sobre Desenvolvimento Humano

IDH-M de 0,751, PIB per capita de R$ 40.107 e posição 211ª em mortalidade infantil entre municípios paulistas. Análise dos indicadores reais de desenvolvimento humano de Guarujá.

O IDH-M de Guarujá é 0,751 — acima da média nacional, mas 11,8% abaixo de Santos (0,840) e abaixo da mediana dos municípios paulistas. O dado posiciona Guarujá como uma cidade de desenvolvimento humano alto, mas com assimetrias visíveis em educação e saúde que qualquer pessoa que planeja morar aqui precisa conhecer.

Este artigo cruza os dados oficiais de quatro dimensões — renda, educação, saúde e infraestrutura — para mostrar o que os números dizem e o que escondem.

O fato que os portais imobiliários não mostram

IDH-M 0,751 soa bem. E é, de certa forma: coloca Guarujá na faixa de desenvolvimento humano alto (acima de 0,700), classificação utilizada pelo PNUD para municípios com IDH entre 0,700 e 0,799.

O problema é que 0,751 é a média de três sub-índices. E, quando você desagrega, os números não são homogêneos: a renda puxa para cima — e os outros puxam para baixo.

IDH-M Guarujá

0,751

Fonte: IBGE / PNUD (Censo 2010)

IDH-M Santos

0,840

Fonte: IBGE / PNUD (Censo 2010)

IDH-M Praia Grande

0,754

Fonte: IBGE / PNUD (Censo 2010)

PIB per capita

R$ 40.107

Fonte: IBGE (2023)

Taxa de alfabetização

96,15%

Fonte: IBGE (Censo 2022)

Mortalidade infantil

13,49/1.000

Fonte: IBGE / DataSUS (2023)

Atenção: IDH-M de 2010

O IDH-M municipal brasileiro ainda usa o Censo de 2010 como base de cálculo. Os dados do Censo 2022 ainda não foram processados em IDH-M pelo PNUD/IBGE. Isso significa que o indicador tem mais de 15 anos. Os sub-indicadores de educação, saúde e renda neste artigo usam dados mais recentes quando disponíveis.


Renda: o PIB que o porto infla

O PIB per capita de Guarujá é R$ 40.107 (IBGE, 2023) — acima de Praia Grande (R$ 31.200) e acima da média nacional, mas abaixo de Santos (R$ 52.400).

O número parece forte. E é — para parte da população. O problema está na distribuição.

IndicadorValorFonteAno
PIB municipal totalR$ 11,5 biIBGE2023
PIB per capitaR$ 40.107IBGE2023
Salário médio formal5,0 salários mínimosIBGE (Cadastro Central de Empresas)2023
Salário predominante (mercado geral)R$ 2.100–R$ 3.300CAGED / Estimativa2023
Pessoal ocupado formal63.929 pessoasIBGE (Cadastro Central de Empresas)2023
Pop. com até ½ salário mínimo per capita36%IBGE (Censo 2010)2010

O dado mais revelador é a divergência entre o salário médio formal de 5,0 SM (IBGE) e os salários predominantes de R$ 2.100–R$ 3.300 (CAGED). A diferença existe porque o complexo portuário e a indústria pesada de Guarujá empregam uma camada de trabalhadores de alta remuneração — engenheiros, gestores, técnicos especializados — que puxam a média para cima sem representar o mercado de trabalho comum da cidade.

Traduzindo: o PIB per capita de Guarujá é alto porque o porto é grande, não porque a população é rica.

O porto e a renda

O ISS (Imposto Sobre Serviços) arrecadado pela Prefeitura no primeiro trimestre de 2026 foi de R$ 125,6 milhões — o equivalente a R$ 1,4 milhão por dia útil. O volume é desproporcional para uma cidade de 287 mil habitantes e reflete as operações de logística e serviços do complexo portuário. Esse fluxo econômico aparece no PIB, mas não chega igualmente a toda a população (Siconfi / Tesouro Nacional, 2024).


Educação: IDEB no terço inferior paulista

O sub-índice de educação do IDH é o que mais arrasta a nota de Guarujá para baixo — e os dados mais recentes confirmam isso.

IDEB Anos Iniciais (rede pública)

5,8

Fonte: IBGE / INEP (2023)

IDEB Anos Finais (rede pública)

4,9

Fonte: IBGE / INEP (2023)

Taxa de escolarização (6–14 anos)

98,49%

Fonte: IBGE (Censo 2022)

Taxa de alfabetização (15+ anos)

96,15%

Fonte: IBGE (Censo 2022)

O IDEB de 5,8 nos anos iniciais e 4,9 nos anos finais posiciona Guarujá nas posições 568ª e 500ª de 645 municípios paulistas, respectivamente — no terço inferior do estado.

O IDEB de Guarujá nos anos finais (4,9) está abaixo da meta nacional de 6,0 prevista para 2021 pelo MEC/INEP e no terço inferior do ranking estadual.

Dois alertas metodológicos importantes:

  1. Esses são dados da rede pública (municipal + estadual). A rede estadual puxa a média para baixo. Escolas particulares de Guarujá não entram nesse cálculo.
  2. A taxa de escolarização de 98,49% é alta e positiva: quase todas as crianças estão na escola. O problema não é acesso, é qualidade do ensino na rede pública.

O que isso significa para quem vai morar aqui

Se você depende da rede pública, o IDEB de Guarujá é uma preocupação legítima — especialmente nos anos finais do fundamental. Se você tem renda para escola particular, o indicador é menos relevante. Mas é importante entrar com olhos abertos.


Saúde: UPAs superlotadas, cobertura básica incompleta

O indicador de saúde do IDH-M usa a esperança de vida ao nascer. Dado mais recente e revelador é a taxa de mortalidade infantil.

IndicadorValorFonteAno
Taxa de mortalidade infantil13,49 por 1.000 nascidos vivosIBGE / DataSUS2023
Posição entre municípios paulistas211ª de 645IBGE / DataSUS2023
Leitos hospitalares (SUS)412DataSUS2023
Unidades Básicas de Saúde (UBS)15DataSUS2023
Cobertura atenção básica74,5%DataSUS2023
UPAs em funcionamento5Prefeitura de Guarujá2024

A mortalidade infantil de 13,49 por 1.000 coloca Guarujá na posição 211ª de 645 municípios paulistas — abaixo da mediana estadual. Para referência, Santos tem mortalidade infantil significativamente menor, reflexo de maior cobertura hospitalar e número de leitos.

A cobertura de atenção básica de 74,5% significa que cerca de um quarto da população não está coberta pela atenção primária de saúde — UBSs, agentes de saúde, acompanhamento preventivo.

O gargalo prático que mais aparece em relatos de moradores é o tempo de espera nas UPAs: 3 a 4h30 registrados pela imprensa local (A Tribuna, jan–abr 2024) na UPA da Enseada e na UPA da Rodoviária. A nova UPA da Enseada, inaugurada em julho de 2024, pode ter aliviado parte da demanda — dado de 2025 ainda não disponível.

O que a cobertura de 74,5% significa na prática

Um quarto da população de Guarujá — aproximadamente 72.000 pessoas — está fora da cobertura formal da atenção básica. Isso não significa que ficam sem atendimento: parte recorre a UPAs para casos que seriam resolvidos em UBS. Isso explica, em parte, a superlotação. Para quem vai morar em Guarujá sem plano de saúde, esse dado é o mais importante deste artigo (DataSUS, 2023).


Comparativo regional: onde Guarujá se posiciona

IndicadorGuarujáSantosPraia GrandeFonte
IDH-M0,7510,8400,754IBGE / PNUD (2010)
PIB per capitaR$ 40.107R$ 52.400R$ 31.200IBGE (2023 / 2021*)
Densidade demográfica1.986 hab/km²1.490 hab/km²IBGE (2022)
Homicídio doloso (2025)14 casos11 casos21 casosSSP-SP (2025)
Taxa homicídio (por 100 mil)4,32,56,3SSP-SP (2025)

*PIB per capita de Guarujá atualizado para 2023. Santos e Praia Grande com dados de 2021 — atualizar quando disponíveis (IBGE).

O comparativo mostra um padrão consistente: Guarujá fica entre Santos e Praia Grande na maioria dos indicadores. Santos lidera em IDH, PIB per capita e segurança (menor taxa de homicídio). Praia Grande tem PIB per capita mais baixo, IDH similar e maior taxa de violência letal.

A densidade mais alta de Guarujá (1.986 vs 1.490 hab/km² em Santos) em um território menor explica parte da pressão sobre serviços públicos.


Infraestrutura básica: onde Guarujá vai bem

Nem tudo é negativo. Os indicadores de infraestrutura urbana básica mostram resultados positivos:

Esgotamento sanitário adequado

84,84%

Fonte: IBGE (Censo 2022)

Arborização de vias públicas

66,62%

Fonte: IBGE (Censo 2022)

Urbanização de vias públicas

63,5%

Fonte: IBGE (Censo 2010)

Cobertura vegetal nativa

48%

Fonte: IBGE (2022)

84,84% de esgotamento sanitário adequado é um número relevante para cidade litorânea — especialmente considerando que Guarujá tem áreas de ocupação irregular que pressionam o sistema. O restante 15% concentra-se em áreas periféricas e irregulares.

A arborização de 66,62% das vias reflete o território parcialmente preservado da ilha — morros, APA Serra do Guararu e a vegetação das encostas contribuem para esse indicador mesmo sem intervenção urbana.


O veredito: o que o IDH revela e o que esconde

O IDH-M de 0,751 de Guarujá diz que a cidade tem desenvolvimento humano alto, e isso é correto no sentido técnico. Mas o indicador agrega três dimensões muito heterogêneas:

  • Renda: inflada pelo porto — não representa o trabalhador médio
  • Educação: IDEB no terço inferior paulista — rede pública abaixo da meta nacional
  • Saúde: cobertura básica incompleta, mortalidade infantil abaixo da mediana estadual

Para quem vai morar em Guarujá, o IDH sozinho não decide nada. O que importa é entender qual parte do IDH afeta sua vida:

PerfilO que olhar
Família com filhos em escola públicaIDEB 4,9 (anos finais) — planeje alternativas ou escola particular
Trabalhador sem carteira assinadaSalário predominante R$ 2.100–3.300, não o "médio" de 5 SM
Morador sem plano de saúdeCobertura atenção básica 74,5% — confirme se sua região tem UBS próxima
Investidor imobiliárioPIB R$ 11,5 bi, crescimento de crédito, mercado ativo — indicadores favoráveis
Aposentado com renda própriaIDH e infraestrutura são favoráveis; saúde é o ponto de atenção

Perguntas frequentes

O IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) de Guarujá é 0,751, calculado com base no Censo 2010 (IBGE / PNUD). O dado coloca Guarujá na faixa de desenvolvimento humano alto (acima de 0,700). Para comparação, Santos tem IDH-M de 0,840 e Praia Grande, 0,754.
Depende do perfil. Infraestrutura básica (saneamento 84,84%, arborização 66,62%) e queda na criminalidade (homicídios -51,7% em 2025 vs 2024, SSP-SP) são pontos positivos. Educação pública (IDEB 4,9 nos anos finais, terço inferior do estado) e cobertura de saúde básica (74,5%) são os pontos fracos. Quem tem renda para escola particular e plano de saúde tem qualidade de vida alta; quem depende exclusivamente da rede pública, enfrenta mais limitações.
O IBGE registra salário médio formal de 5,0 salários mínimos no Cadastro Central de Empresas (2023), mas esse número é inflado pelos trabalhadores do complexo portuário e da indústria, que recebem acima da média. O CAGED aponta salários predominantes de R$ 2.100 a R$ 3.300 para o mercado de trabalho geral. Para quem vai trabalhar em serviços, comércio ou turismo, o segundo intervalo é o mais realista.
O IDEB de 2023 da rede pública é 5,8 nos anos iniciais do fundamental e 4,9 nos anos finais. Isso posiciona Guarujá nas posições 568ª e 500ª de 645 municípios paulistas — no terço inferior do estado. A taxa de escolarização (98,49%, Censo 2022) é alta, indicando que quase todas as crianças frequentam a escola; o problema é a qualidade do ensino na rede pública, abaixo da média estadual (IBGE / INEP, 2023).
Guarujá tem 412 leitos hospitalares SUS, 15 UBSs e 5 UPAs (DataSUS / Prefeitura, 2023-2024). A cobertura de atenção básica é 74,5% — ou seja, cerca de um quarto da população não está coberta pelo sistema primário de saúde. Relatos jornalísticos documentaram filas de 3 a 4h30 nas UPAs da Enseada e da Rodoviária (A Tribuna, 2024). A taxa de mortalidade infantil é 13,49 por 1.000 nascidos vivos (IBGE/DataSUS, 2023), colocando Guarujá na posição 211ª de 645 municípios paulistas — abaixo da mediana estadual.

Fontes

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Fontes dos dados: IBGE (Censo 2022), SSP-SP (2023), INEP (2021), Prefeitura de Guarujá. Informações de caráter educativo e informativo.

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