Dados Crus #2 — Segurança em Guarujá: Balanço Completo 2025
Homicídios caíram 51,7%. Roubos caíram 53,6% em dois anos. Furtos subiram 5,1%. Todos os dados criminais de Guarujá em 2025, com comparativo regional e análise honesta.
Resumo executivo
Guarujá fechou 2025 com a maior queda em crimes violentos da Baixada Santista. Homicídios dolosos caíram de 29 para 14 casos: menos 51,7%. Roubos caíram de 2.954 (2023) para 1.370 (2025): menos 53,6% em dois anos.
Ao mesmo tempo, furtos subiram 5,1%, furtos de veículos subiram 10% e lesões corporais dolosas subiram 13,6%.
As duas coisas são verdade ao mesmo tempo. Este é o balanço completo.
Homicídios dolosos
14
Fonte: SSP-SP 2025
Variação homicídios
-51,7%
Fonte: 2024→2025
Taxa homicídios / 100k
4,3
Fonte: SSP-SP 2025 / IBGE
Roubos
1.370
Fonte: SSP-SP 2025
Variação roubos (2 anos)
-53,6%
Fonte: 2023→2025
Furtos
3.889
Fonte: SSP-SP 2025
Variação furtos
+5,1%
Fonte: 2024→2025
Total de prisões
1.409
Fonte: SSP-SP 2025
Fonte primaria: planilhas mensais SSP-SP (Dados Criminais), delegacias 001 DP Guaruja, 002 DP Guaruja, DDM Guaruja e DM Guaruja. Populacao base para taxas: 322.408 habitantes (IBGE, Censo 2022).
O que melhorou — e o tamanho da melhora
Homicídios dolosos: -51,7%
De 29 mortes em 2024 para 14 em 2025. A taxa caiu de 9,0 para 4,3 por 100 mil habitantes.
Para dimensionar: em 2023, Guarujá registrou 23 homicídios (taxa de 7,1). Em 2024, o número piorou para 29 (taxa de 9,0). A queda de 2025 não apenas reverteu a piora de 2024 como levou Guarujá ao menor patamar da série recente.
O contexto regional torna o dado mais expressivo. Enquanto Guarujá cortou homicídios pela metade (-51,7%), as vizinhas tiveram quedas modestas: Santos caiu 8,3% (de 12 para 11), Praia Grande caiu 8,7% (de 23 para 21) e São Vicente caiu 9,1% (de 22 para 20). Bertioga permaneceu estável em 3 casos.
Nenhuma outra cidade da Baixada Santista chegou perto dessa redução percentual.
Roubos: -53,6% em dois anos
A trajetória dos roubos é a mais consistente do balanço. De 2.954 casos em 2023, passaram para 1.821 em 2024 (-38,4%) e chegaram a 1.370 em 2025 (-24,8% adicional). Em dois anos, a cidade cortou mais da metade dos roubos.
Novamente, o ritmo de queda supera todas as vizinhas no mesmo período:
- Guarujá: -53,6% (2023 a 2025)
- São Vicente: -32,3%
- Praia Grande: -30,3%
- Santos: -26,5%
Roubo de carga merece destaque separado: caiu de 92 casos (2023) para 9 (2025). Uma redução de 90,2% que reflete diretamente o monitoramento viário (Muralha Paulista) e a integração com inteligência policial.
Estupros: -22,1%
De 95 casos em 2024 para 74 em 2025. A taxa passou de 29,5 para 23,0 por 100 mil habitantes. A queda é significativa, mas o número absoluto continua alto e a taxa de Guarujá (23,0) permanece acima da de Santos (15,2) e São Vicente (19,5). Apenas Praia Grande tem taxa pior na região (26,6).
Tentativas de homicídio: -29,0%
De 31 casos em 2024 para 22 em 2025. Combinada com a queda nos homicídios consumados, indica redução real na violência letal, não apenas mudanca no desfecho dos crimes.
Roubo de veículos: -14,5%
De 55 casos em 2024 para 47 em 2025. Em 2023 eram 87 — queda acumulada de 46% em dois anos.
O que piorou — e por que não esconder
Furtos: +5,1%
De 3.702 casos em 2024 para 3.889 em 2025. A taxa subiu de 1.148,2 para 1.206,2 por 100 mil habitantes.
Esse dado merece contexto: em 2023, os furtos eram 4.412. Portanto, mesmo com a alta de 2025, o patamar atual (3.889) ainda é 11,8% inferior ao de 2023. A tendência de dois anos é de queda, com um repique em 2025.
A alta pode refletir mais de um fator: aumento real de furtos oportunistas, maior disposição da população em registrar ocorrências (efeito colateral de uma cidade que percebe melhora nos crimes violentos) ou combinação dos dois. Sem dados desagregados por tipo de furto, não é possível separar as causas.
O fato é: furtos são o calcanhar de Aquiles de Guarujá. A taxa de 1.206,2 por 100 mil está acima da de Praia Grande (1.135,9) e bem acima da de São Vicente (602,7). Apenas Santos registra taxa pior (1.343,7), o que se explica em parte pelo porte comercial e pelo porto.
Furto de veículos: +10,0%
De 201 para 221 casos. A taxa subiu de 62,3 para 68,6 por 100 mil. Guarujá fica abaixo de Santos (75,2) mas acima de Praia Grande (45,9) e São Vicente (42,3).
Lesão corporal dolosa: +13,6%
De 870 para 988 casos. Taxa de 306,4 por 100 mil — a segunda pior da região, abaixo apenas de Praia Grande (487,0). Esse dado não existia nas planilhas de 2023 (mudança de formato SSP), então não há série histórica anterior para comparação.
Lesão corporal dolosa inclui agressões em contexto doméstico, brigas em bares, conflitos de trânsito e outras situações de violência interpessoal. O crescimento de 13,6% pode indicar tanto um aumento real da violência cotidiana quanto maior disposição das vítimas em denunciar — especialmente em casos de violência doméstica, onde campanhas de conscientização elevam a taxa de registro.
Os números que subiram não podem ser ignorados
É tentador focar nos -51,7% de homicídios e minimizar os +5,1% de furtos. Este artigo não faz isso. Guarujá está significativamente mais segura em crimes violentos e letais. Ao mesmo tempo, furtos, furtos de veículos e lesões corporais subiram. A melhora é real. Os problemas remanescentes também.
Comparativo regional: Guarujá na Baixada Santista
Os números absolutos contam uma parte da história. As taxas por 100 mil habitantes permitem comparação justa entre cidades de tamanhos diferentes.
| Indicador | Guaruja | Santos | Praia Grande |
|---|---|---|---|
| Homicídio doloso / 100k | 4,3 | 2,5 | 6,3 |
| Roubo - outros / 100k | 424,9 | 342,9 | 645,6 |
| Furto - outros / 100k | 1.206,2 | 1.343,7 | 1.135,9 |
| Furto de veículo / 100k | 68,6 | 75,2 | 45,9 |
| Lesão corporal dolosa / 100k | 306,4 | 298,9 | 487,0 |
| Estupro / 100k | 23,0 | 15,2 | 26,6 |
Dados SSP-SP 2025. Populações IBGE Censo 2022: Guarujá 322.408 / Santos 433.656 / Praia Grande 330.845. Taxas calculadas sobre população fixa (não flutuante).
O que a tabela mostra:
- Em homicídios, Guarujá (4,3) fica entre Santos (2,5) e Praia Grande (6,3). Melhor que Praia Grande e São Vicente (5,4), pior que Santos e similar a Bertioga (4,5).
- Em roubos, Guarujá (424,9) está abaixo de Praia Grande (645,6) e acima de Santos (342,9) e São Vicente (337,4).
- Em furtos, Guarujá (1.206,2) está acima de Praia Grande (1.135,9) e abaixo de Santos (1.343,7). São Vicente tem taxa muito inferior (602,7).
- Em estupros, Guarujá (23,0) perde apenas para Praia Grande (26,6) na região. Santos tem a melhor taxa (15,2).
Guarujá não é a cidade mais segura da Baixada Santista em todas as categorias. É a que mais melhorou.
Produtividade policial: mais prisões, mais inquéritos
Os dados de atividade policial em Guarujá em 2025 mostram crescimento em quase todos os indicadores.
Flagrantes lavrados
876
Fonte: SSP-SP 2025
Variação flagrantes
+23,9%
Fonte: 2024→2025
Total de prisões
1.409
Fonte: SSP-SP 2025
Variação prisões
+20,8%
Fonte: 2024→2025
Inquéritos instaurados
2.382
Fonte: SSP-SP 2025
Variação inquéritos
+32,1%
Fonte: 2024→2025
Veículos recuperados
201
Fonte: SSP-SP 2025
Tráfico de entorpecentes
282 ocorrências
Fonte: SSP-SP 2025
Leitura cuidadosa desses dados:
Flagrantes subiram 23,9% (de 707 para 876). Prisões totais subiram 20,8% (de 1.166 para 1.409). Inquéritos instaurados subiram 32,1% (de 1.803 para 2.382). Apreensões por tráfico de entorpecentes subiram 34,9% (de 209 para 282).
A pergunta que esses números levantam: mais prisões significam mais segurança ou mais crime?
As duas interpretações são possíveis:
- Mais eficiência policial — O mesmo crime que antes ficava sem resposta agora resulta em flagrante, prisão e inquérito. A taxa de resolução subiu.
- Mais crime gerando mais trabalho — Se há mais crimes acontecendo, naturalmente haverá mais flagrantes e inquéritos.
A resposta mais provável é uma combinação: a integração dos sistemas de monitoramento (Smart Sampa, Muralha Paulista) e o reforço da Guarda Municipal sob a Secretaria de Defesa e Convivência Social (Lei 5.199/2024) ampliaram a capacidade de resposta. Mais câmeras permitem identificação mais rápida. Mais flagrantes geram mais prisões.
O dado que sustenta a hipótese de eficiência (e não apenas mais crime): veículos recuperados subiram de 183 para 201 (+9,8%), enquanto roubos de veículos caíram de 55 para 47. Mais recuperação com menos roubo indica melhora operacional.
Uma exceção importante: armas de fogo apreendidas caíram de 153 para 84 (-45,1%). Essa queda pode indicar que o crime armado está migrando para outras cidades, que a circulação de armas diminuiu ou que a abordagem policial mudou de foco. Sem dados complementares, não é possível concluir.
Ocorrências por bairro: onde se concentra o problema
Os dados por bairro disponíveis são de 2024 (compilação de boletins de ocorrência, SSP-SP). Os dados anuais de 2025 por bairro ainda não foram publicados.
Enseada
56 ocorrências
Fonte: SSP-SP 2024
Pernambuco
51 ocorrências
Fonte: SSP-SP 2024
Centro
44 ocorrências
Fonte: SSP-SP 2024
Vicente de Carvalho
32 ocorrências
Fonte: SSP-SP 2024
Santa Cruz dos Navegantes
28 ocorrências
Fonte: SSP-SP 2024
Astúrias
12 ocorrências
Fonte: SSP-SP 2024
Tombo
10 ocorrências
Fonte: SSP-SP 2024
Guaiúba
~8 ocorrências
Fonte: SSP-SP 2024 (aprox)
O padrão é claro: os três bairros com maior fluxo turístico (Enseada, Pernambuco, Centro) concentram 151 das ocorrências registradas — mais que todos os outros bairros somados.
Na outra ponta, Tombo (10), Astúrias (12) e Guaiúba (~8) mantêm números consistentemente baixos. A diferença entre Enseada e Guaiúba é de 7 vezes.
Fatores que explicam a concentração:
- Enseada: maior infraestrutura turística da cidade (hotéis, quiosques, bares). Mais visitantes na areia significa mais alvos para furto oportunista.
- Pernambuco: perfil misto residencial e turístico, com proximidade de comunidades vulneráveis.
- Centro: comércio intenso, trânsito de pedestres, crimes patrimoniais diurnos.
- Tombo e Guaiúba: acesso restrito por via única, comunidades menores, público menos massificado.
Dado por bairro: limitação importante
Os dados por bairro são de 2024 e vêm de compilação separada (boletins de ocorrência), com metodologia diferente dos dados por delegacia das seções anteriores (planilhas mensais SSP-SP). Os números não são diretamente comparáveis entre as duas fontes. A granularidade por bairro em 2025 ainda não está disponível publicamente.
Guarujá está mais segura? A resposta depende do crime
Sim para crimes violentos e letais. A queda de 51,7% em homicídios e 53,6% em roubos (dois anos) é inequívoca. A tendência é de melhora consistente e acima da média regional.
Não para furtos e violência cotidiana. Furtos subiram 5,1%, furtos de veículos subiram 10% e lesões corporais dolosas subiram 13,6%. Quem mora em Guarujá está menos exposto a crimes violentos e mais exposto a crimes patrimoniais e agressões.
O que isso significa para quem avalia morar em Guarujá:
O risco de ser vítima de crime violento (homicídio, roubo com arma) caiu substancialmente. O risco de ter um celular furtado na praia ou o carro arrombado na rua não caiu — pode ter aumentado levemente. A escolha de bairro continua sendo o fator mais determinante: a diferença entre Enseada (56 ocorrências) e Guaiúba (~8) é maior do que a diferença entre muitas cidades.
O monitoramento por câmeras (Smart Sampa + Muralha Paulista) e a reestruturação institucional (Secretaria de Defesa e Convivência Social, Lei 5.199/2024) são mudanças permanentes — não operações sazonais. A sustentabilidade dos resultados depende da continuidade desses investimentos.
Lacunas e limitações dos dados
Transparência obriga registrar o que esses dados não cobrem:
-
Dados por bairro são de 2024, não 2025. Os dados anuais consolidados da SSP-SP por bairro para 2025 ainda não foram publicados. Os números de 2024 servem como referência de distribuição geográfica, mas podem ter mudado.
-
Mudança metodológica da SSP-SP entre 2023 e 2024. Os dados de 2023 não incluem lesão corporal dolosa, tentativa de homicídio e vítimas de homicídio. Isso significa que comparações de 2023 com anos posteriores estão incompletas para essas categorias.
-
Subnotificação. Furtos oportunistas (celular na praia, pertences no carro) são os crimes com maior subnotificação. A maioria das vítimas — especialmente turistas — não registra boletim de ocorrência. Os números reais de furtos são provavelmente maiores que os registrados. Para homicídios, a subnotificação é irrelevante.
-
Taxas calculadas sobre população fixa. Guarujá tem população flutuante que pode chegar a 2 milhões na temporada (IBGE/SEADE). Os índices por 100 mil habitantes usam a população fixa de 322.408 (Censo 2022), o que inflaciona artificialmente as taxas em meses de alta temporada. Todas as cidades turísticas da Baixada Santista sofrem essa distorção, mas Guarujá tem a maior variação sazonal da região.
-
Efeito de deslocamento. A melhora em Guarujá coincide com investimento em monitoramento que cidades vizinhas podem não ter na mesma proporção. Sem dados desagregados de toda a região no mesmo formato, não é possível descartar deslocamento parcial do crime para municípios com menor vigilância tecnológica.
Perguntas frequentes
Série Dados Crus — Análise periódica com dados brutos, fontes explícitas e interpretação honesta. Sem promessas, sem sensacionalismo. Os números falam.
Dados: planilhas mensais SSP-SP (Dados Criminais), extraídas em abril de 2026. Delegacias: 001 DP Guarujá, 002 DP Guarujá, DDM Guarujá, DM Guarujá. População base para taxas: 322.408 (IBGE, Censo 2022). Dados por bairro: compilação de boletins de ocorrência SSP-SP 2024. Produtividade policial: planilhas SSP-SP (Dados de Produtividade Policial). Estrutura institucional: Lei Municipal 5.199/2024, Plano Diretor SEPLAN 2026.
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Fontes dos dados: IBGE (Censo 2022), SSP-SP (2023), INEP (2021), Prefeitura de Guarujá. Informações de caráter educativo e informativo.
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