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Dados Crus #3 — Aluguel de Temporada em Guarujá: Números Reais

Análise crítica do mercado de aluguel de temporada em Guarujá. Dados CRECI-SP, Terracotta Ventures e plataformas. Rentabilidade de 12,7% é real? Carnaval 2025 vs 2026. Custos, riscos e lacunas.

A promessa de 12,7% ao ano — e o que os números realmente dizem

Guarujá aparece entre as dez cidades brasileiras com maior potencial para aluguel de curta temporada, segundo a Terracotta Ventures (janeiro de 2025). A mesma fonte estima rentabilidade de até 12,7% ao ano. Plataformas de temporada falam em 80% de ocupação na alta temporada e faturamento médio de R$ 12.000 entre dezembro e janeiro.

São números que fazem qualquer investidor abrir uma planilha. Mas antes de abrir a planilha, é preciso abrir as fontes — e separar o que é dado confirmado do que é estimativa de mercado.

Este artigo faz exatamente isso. Reúne todos os dados públicos disponíveis sobre aluguel de temporada em Guarujá, rotula cada um como confirmado ou estimativa, calcula o ROI real depois de todos os custos, e aponta as lacunas que ninguém menciona.

Top 10 BR short-stay

Confirmado

Fonte: Terracotta Ventures / Jan 2025

Rentabilidade anual

Até 12,7%

Fonte: Estimativa — Terracotta Ventures

Diárias Carnaval 2026

R$ 600-1.500

Fonte: CRECI-SP / Fev 2026

Ocupação alta temporada

~80%

Fonte: Estimativa — Plataformas

Locações BS +17,57%

Acumulado 2025

Fonte: CRECI-SP / Ago 2025

Contratos BS 2023

+443%

Fonte: CRECI-SP / InfoMoney


1. O mercado de temporada em números: o que sabemos vs o que é estimativa

Antes de qualquer análise, a transparência. Veja o que é dado confirmado — publicado por fonte verificável — e o que é estimativa de mercado, onde a fonte existe mas a metodologia não é pública ou a amostra é limitada.

Dados confirmados

DadoValorFonteVerificação
Guarujá entre as 10 cidades com maior potencial para short-stay no BrasilSimTerracotta Ventures, janeiro de 2025Comércio SP
Variação de diárias no Carnaval 2025 vs 2024 (litoral SP)-25,32%CRECI-SP / 41 imobiliáriasInfoMoney
Diárias Carnaval 2026 (faixa litoral)R$ 600 a R$ 1.500CRECI-SP / 17 imobiliárias, 12 cidadesRepórter Diário
Crescimento de contratos de aluguel na Baixada Santista em 2023+443%CRECI-SPInfoMoney
Locações acumulado no ano (até agosto de 2025)+17,57%CRECI-SP / 158 imobiliáriasCRECI-SP Pesquisas
1 dormitório temporada Carnaval 2026 vs 2025 (litoral centro)+122,5%CRECI-SP / 17 imobiliáriasRepórter Diário
Casas 2 dorm temporada Carnaval 2026 vs 2025 (litoral sul)-42,37%CRECI-SP / 17 imobiliáriasRepórter Diário

Estimativas de mercado (sem metodologia pública)

DadoValorFontePor que é estimativa
Rentabilidade anual short-stayAté 12,7%Terracotta Ventures, janeiro de 2025Não publica metodologia, amostra ou premissas de custo
Ocupação média na alta temporada~80%Plataformas de temporada, 2025Dado agregado sem abertura por cidade, tipo ou padrão
Faturamento médio dez-janR$ 12.000Plataformas de temporada, 2025Sem especificação de tipo de imóvel, bairro ou custos descontados

A diferença entre confirmado e estimativa importa

Os dados confirmados vêm do CRECI-SP (pesquisa com imobiliárias reais) e de publicações verificáveis. As estimativas vêm de relatórios de mercado que não abrem a metodologia. Usar estimativas não é errado — é o que o mercado tem. O erro é tratá-las como certeza. Neste artigo, toda estimativa está rotulada.


2. Carnaval 2025 vs 2026: o que mudou no perfil da demanda

O Carnaval é o termômetro do mercado de temporada no litoral paulista. E os dois últimos Carnavais contam uma história de mudança estrutural na demanda.

Carnaval 2025: queda geral nas diárias

No Carnaval de 2025, o CRECI-SP registrou queda de 25,32% nas diárias do litoral paulista em relação ao Carnaval de 2024. A pesquisa consultou 41 imobiliárias (InfoMoney / CRECI-SP).

Contexto: Selic a 13,25% em fevereiro de 2025, inflação pressionando o orçamento das famílias, e um excesso de oferta de imóveis de temporada impulsionado pelo boom de cadastros em plataformas pós-pandemia.

Carnaval 2026: apartamentos explodem, casas despencam

Um ano depois, o cenário inverteu parcialmente — mas de forma desigual. A pesquisa do CRECI-SP (17 imobiliárias, 12 cidades do litoral) mostrou:

SegmentoDiária 2025Diária 2026Variação
1 dormitório temporada (litoral centro)+122,5%
2 dormitórios temporada (litoral centro)R$ 625R$ 1.230+96,8%
Casas 2 dorm temporada (litoral sul)R$ 925R$ 533-42,37%
Casas 4 dorm temporada (litoral sul)R$ 2.356R$ 1.290-45,24%

Fonte: Repórter Diário / CRECI-SP. Dados referem-se ao litoral paulista, não exclusivamente a Guarujá.

O que explica a divergência

Dois movimentos simultâneos:

Apartamentos compactos subiram porque a demanda migrou para estadias mais curtas e mais baratas. Casal ou grupo pequeno, 3-4 noites, sem carro, perto da praia. O perfil do hóspede de Carnaval ficou mais parecido com o do Airbnb urbano — e menos com o da família que aluga casa por 15 dias.

Casas grandes caíram porque a conta não fecha para famílias com orçamento pressionado. Uma casa de 4 dormitórios no litoral sul a R$ 2.356/noite no Carnaval de 2025 perdeu demanda. Em 2026, o mercado corrigiu para R$ 1.290 — e ainda assim pode ter ficado vazio. Mais oferta de casas (pós-pandemia muita gente comprou para alugar) + menos demanda de grupos grandes = queda brutal.

Dado é do litoral paulista, não só de Guarujá

A pesquisa CRECI-SP cobre 12 cidades do litoral. Guarujá está incluída, mas os números não são desagregados por cidade. Não é possível afirmar que a variação de +122,5% em apartamentos de 1 dormitório seja específica de Guarujá. É a tendência regional.


3. Rentabilidade de 12,7%: análise crítica

A Terracotta Ventures estimou que imóveis de curta temporada em Guarujá podem render até 12,7% ao ano. É o número mais citado em matérias sobre o mercado local. Mas "até 12,7%" é o teto teórico — e ninguém mora no teto.

O que 12,7% significaria na prática

Para um apartamento de 2 quartos na Enseada, com valor de mercado de R$ 400.000 (M² médio de R$ 5.250 pela A Tribuna / Assoc. Corretores, julho de 2025, apartamento de ~76 m²):

  • 12,7% ao ano = R$ 50.800 de retorno anual
  • Isso exigiria renda líquida de R$ 4.233/mês, todos os meses

A pergunta certa não é "quanto o imóvel fatura" — é "quanto sobra depois de pagar tudo".

O que a Terracotta não publica

A estimativa de 12,7% não informa:

  • Se é rentabilidade bruta ou líquida
  • Qual a taxa de ocupação assumida
  • Se inclui custos de gestão, manutenção, impostos e vacância
  • Qual o perfil de imóvel (tamanho, bairro, padrão)

Sem essas premissas, o número é uma manchete — não um dado de investimento.


4. Cálculo honesto de ROI: receita bruta menos todos os custos

Vamos montar a conta completa para um cenário-base e um cenário otimista, usando os dados disponíveis.

Imóvel-referência: Apartamento 2 quartos na Enseada, mobiliado, bom estado, fotos profissionais. Valor de mercado: R$ 400.000.

Receita bruta estimada

PeríodoDiasOcupação (estimativa)Dias ocupadosDiária média (estimativa)Receita
Alta temporada (dez-fev)9070-80%63-72R$ 550R$ 34.650-39.600
Feriados prolongados~3075-85%23-26R$ 600R$ 13.800-15.600
Média temporada (mar, nov)6030-40%18-24R$ 350R$ 6.300-8.400
Baixa temporada (abr-out)18510-20%19-37R$ 250R$ 4.750-9.250
Total anual365123-159R$ 59.500-72.850

A ocupação anual resultante fica entre 34% e 44% — alinhada com o mercado de temporada no litoral paulista. A estimativa de 80% de ocupação na alta temporada é o teto; o cenário conservador usa 70%.

Todos os valores de receita são estimativas

Não existem dados oficiais de ocupação média por tipo de imóvel em Guarujá. As faixas acima são construídas a partir de estimativas de plataformas de temporada (2025) e do faturamento médio de R$ 12.000 em dez-jan (estimativa). A metodologia está explícita para que cada investidor ajuste à sua realidade.

Custos anuais detalhados

CategoriaItemValor anual (estimativa)
FixosCondomínio (R$ 1.200-1.500/mês)R$ 14.400-18.000
IPTUR$ 3.000-4.800
Água, luz, internetR$ 3.600-6.000
Seguro residencialR$ 840-1.440
Foro SPU (se terreno de marinha)R$ 600-1.200
VariáveisLimpeza entre hóspedes (~45 check-outs × R$ 200)R$ 9.000
Lavanderia/enxovalR$ 4.500
Manutenção e reparos (maresia)R$ 4.500-6.000
Reposição enxoval e utensíliosR$ 2.500-4.000
ConsumíveisR$ 1.000-1.500
ComissõesAirbnb (3% da receita bruta)R$ 1.785-2.186
ImpostosIR carnê-leão (~15% da renda líquida)Variável
Total custos (sem IR e sem administradora)R$ 45.725-58.626

ROI: cenário conservador vs otimista

ConservadorOtimista
Receita brutaR$ 59.500R$ 72.850
(-) Custos operacionais-R$ 52.000-R$ 48.000
Renda antes de IRR$ 7.500R$ 24.850
(-) IR estimado (15%)-R$ 1.125-R$ 3.728
Renda líquida anualR$ 6.375R$ 21.122
ROI líquido1,6%5,3%

Se terceirizar a gestão (administradora)

Uma administradora de temporada cobra entre 15% e 25% da receita bruta. No cenário otimista (R$ 72.850 brutos), são R$ 10.928 a R$ 18.213 adicionais.

Com administradora (20%)
Receita brutaR$ 72.850
(-) Custos operacionais-R$ 48.000
(-) Administradora (20%)-R$ 14.570
(-) IR estimado-R$ 1.542
Renda líquida anualR$ 8.738
ROI líquido2,2%

De 12,7% para 1,6%-5,3%: onde foi parar a rentabilidade?

A diferença entre a estimativa de 12,7% (Terracotta Ventures) e o ROI líquido de 1,6%-5,3% está nos custos que ninguém menciona: condomínio, IPTU, manutenção acelerada pela maresia, limpeza entre hóspedes, comissões de plataforma, IR e vacância de 7-8 meses. Os 12,7% provavelmente representam rentabilidade bruta sobre o faturamento, sem descontar custos fixos nem vacância fora de temporada. Não é um número falso — é um número incompleto.


5. Plataformas: onde os imóveis são listados

O mercado de temporada em Guarujá opera em quatro canais principais. Cada um tem perfil, comissão e alcance diferentes.

PlataformaComissão (anfitrião)AlcanceProteção ao proprietárioPerfil dominante
Airbnb3%Alto (líder em buscas no litoral SP)Alta (seguro, mediação)Casais, grupos pequenos, estadias curtas
Booking.com15%Médio-alto (forte com internacionais)AltaTuristas estrangeiros, corporativos
Vrbo (antigo Alugue Temporada)5%MédioMédiaFamílias, estadias mais longas
Direto (WhatsApp, indicação)0%LocalNenhumaHóspedes recorrentes

Não há dados públicos sobre a participação de mercado de cada plataforma em Guarujá especificamente. O que se observa no mercado é que o Airbnb lidera em volume de buscas e reservas no litoral paulista, enquanto o canal direto (WhatsApp e grupos locais) ainda é relevante para proprietários com carteira estabelecida.

A comissão não é o único custo

A comissão do Airbnb de 3% para o anfitrião parece baixa, mas o hóspede paga 14-16% adicional — o que eleva o preço final e pode reduzir a demanda comparada ao canal direto. No Booking, os 15% saem do bolso do proprietário. Considere anunciar em múltiplas plataformas com um channel manager para sincronizar calendários.


6. Perfil do imóvel que rende: o que os dados sugerem

Os dados do CRECI-SP sobre o Carnaval de 2026 revelam uma tendência clara: apartamentos compactos em localização central têm demanda crescente; casas grandes em regiões periféricas estão perdendo atratividade.

O que subiu

  • Apartamentos de 1 dormitório no litoral centro: +122,5% na diária (CRECI-SP, Carnaval 2026 vs 2025)
  • Apartamentos de 2 dormitórios no litoral centro: de R$ 625 para R$ 1.230 por diária

O que caiu

  • Casas de 2 dormitórios no litoral sul: -42,37% (de R$ 925 para R$ 533)
  • Casas de 4 dormitórios no litoral sul: -45,24% (de R$ 2.356 para R$ 1.290)

O que isso sugere para Guarujá

Traduzindo para o contexto local — embora os dados sejam do litoral paulista agregado:

Perfil de imóvelPotencial de temporadaRisco
Apartamento 1-2Q, próximo da orla (Enseada, Pitangueiras, Astúrias)Maior demanda, diárias em altaConcorrência alta entre proprietários
Apartamento 3Q, orla ou próximoBom para famílias, ocupação mais estávelDiárias mais sensíveis a preço
Casa em condomínio (Acapulco, Pernambuco)Nicho de alto padrão, diárias altasVacância maior fora de temporada, custos fixos elevados
Casa em bairro periféricoDiárias em queda, difícil competir em plataformasMaior risco de vacância prolongada

7. Riscos: o que pode dar errado

Aluguel de temporada não é renda passiva. É uma operação que exige gestão ativa, capital de giro e tolerância a sazonalidade extrema.

7.1. Sazonalidade: 80% da receita em 3-4 meses

O cálculo da seção 4 mostra que, no cenário conservador, a alta temporada e os feriados respondem por R$ 48.450 dos R$ 59.500 brutos anuais — ou 81% da receita. Nos outros 8-9 meses, o imóvel opera com ocupação de 10-20%, gerando receita insuficiente para cobrir os custos fixos mensais.

Isso significa que o proprietário precisa de reserva financeira para cobrir condomínio, IPTU e manutenção durante os meses de vacância. Se a alta temporada for fraca (chuva atípica, crise econômica, nova pandemia), o ano inteiro pode dar prejuízo operacional.

7.2. Maresia: o custo que não aparece na planilha

Quem mora em Guarujá sabe: a maresia corrói fechaduras, trincos, dobradiças, eletrodomésticos e tudo que tem metal exposto. Um apartamento de temporada sofre mais porque fica fechado por longos períodos — a umidade se acumula. A manutenção preventiva é maior do que em um imóvel ocupado permanentemente.

Estimativa de mercado para manutenção anual: R$ 4.500 a R$ 6.000 — sem contar reformas maiores (pintura, ar-condicionado, aquecedor).

7.3. Regulação municipal: zona cinzenta

Guarujá não tem regulamentação específica consolidada sobre aluguel de temporada via plataformas digitais. Há debate nacional sobre a incidência de ISS (2-5%) em hospedagem via Airbnb e similares. Condomínios podem restringir ou proibir locação de curta temporada em regulamento interno. Antes de investir, verifique a convenção do condomínio.

7.4. Dependência de avaliações

Nas plataformas, a reputação é o ativo. Um imóvel novo sem avaliações compete em desvantagem com imóveis estabelecidos. Avaliações ruins (por problemas reais ou expectativas desalinhadas) derrubam a ocupação e forçam redução de diárias. A recuperação de reputação em plataformas pode levar meses.

7.5. Concorrência crescente

O crescimento de 443% nos contratos de aluguel na Baixada Santista em 2023 (CRECI-SP) indica uma explosão de oferta. Mais imóveis disponíveis significam mais concorrência por hóspedes — especialmente fora da alta temporada, quando a demanda é baixa. A tendência é de pressão para baixo nas diárias de baixa e média temporada.


8. O que não sabemos: lacunas nos dados

Transparência total — estes são os dados que não existem publicamente e que limitam qualquer análise de investimento em temporada:

LacunaPor que importaO que usamos como proxy
Taxa de ocupação média anual por tipo de imóvel em GuarujáÉ o dado mais relevante para calcular ROIEstimativas de plataformas (~35-45% anual)
Série histórica de diárias (evolução ano a ano)Sem histórico, não há como calcular tendênciaVariação CRECI-SP de Carnaval a Carnaval
Número total de imóveis listados em plataformasIndica nível de concorrênciaNão há proxy confiável
Receita média líquida por tipo de imóvelConfirmaria ou refutaria estimativas de rentabilidadeCálculo próprio com premissas explícitas
Impacto de regulação condominialQuantos prédios restringem temporadaLevantamento manual (não disponível)
Perfil do hóspede (origem, ticket, permanência)Permite segmentar estratégiaNão há dados públicos

Não existem dados oficiais de ocupação média

Este é o dado mais crítico para qualquer investidor e ele simplesmente não existe em formato público para Guarujá. As estimativas de 80% na alta temporada e 35-45% anual são agregados de plataformas sem abertura por cidade, bairro ou tipo de imóvel. Qualquer promessa de rentabilidade que não declare essa limitação está vendendo certeza onde há incerteza.


Veredito

O aluguel de temporada em Guarujá é uma oportunidade real — mas não a oportunidade que os números de manchete sugerem.

O que os dados sustentam:

  • Guarujá tem demanda estrutural para short-stay (proximidade de São Paulo, 22 milhões de pessoas a 1h30 de carro, praias diversas)
  • O mercado de locação na Baixada está em crescimento (+17,57% acumulado até agosto de 2025, CRECI-SP)
  • Apartamentos compactos em localização central são o segmento mais aquecido (Carnaval 2026: +122,5% em diárias para 1 dormitório)
  • Existe demanda real — o Carnaval de 2026 mostra que os preços se ajustaram e o mercado segmentou

O que os dados não sustentam:

  • Rentabilidade de 12,7% ao ano como cenário provável — o ROI líquido realista fica entre 1,6% e 5,3%, dependendo de ocupação, gestão e custos
  • Aluguel de temporada como renda passiva — é uma operação ativa, com gestão de check-in, limpeza, manutenção e reputação em plataformas
  • Casas grandes como investimento de temporada — a tendência de queda nas diárias (-42% a -45% no litoral sul) indica excesso de oferta nesse segmento
  • Projeções de receita sem custos — condomínio, IPTU, manutenção (maresia), limpeza e impostos consomem 60-80% da receita bruta

Para quem faz sentido:

  • Proprietários que já têm o imóvel e querem gerar renda nos meses ociosos — o custo de oportunidade é menor
  • Investidores que compram apartamento compacto em localização central, com gestão própria, e aceitam ROI líquido de 3-5%
  • Quem combina renda de temporada com uso próprio — a conta muda quando o imóvel também é segunda residência

Para quem não faz sentido:

  • Investidores que esperam 12,7% ao ano líquidos — os custos operacionais em cidade litorânea não permitem
  • Quem precisa terceirizar a gestão e espera lucro — a comissão da administradora (15-25%) praticamente zera o retorno
  • Quem compra casa grande em bairro periférico exclusivamente para temporada — a tendência de mercado está contra

O aluguel de temporada em Guarujá é um bom complemento de renda para quem já tem o imóvel. Como investimento puro, o retorno é modesto — e depende de gestão ativa e ocupação acima da média. Os 12,7% da manchete existem em algum cenário ideal. Na conta real, com maresia, vacância e condomínio, o número é outro.


Fontes

  1. Terracotta Ventures — Ranking de cidades para short-stay, janeiro de 2025. Via Comércio SP
  2. CRECI-SP — Pesquisa de Carnaval 2025 (41 imobiliárias). Via InfoMoney
  3. CRECI-SP — Pesquisa de Carnaval 2026 (17 imobiliárias, 12 cidades). Via Repórter Diário
  4. CRECI-SP — Pesquisa mensal agosto de 2025 (158 imobiliárias). Pesquisas de Mercado
  5. A Tribuna — Ranking M² Guarujá, julho de 2025. URL
  6. Guia de aluguel por temporada — Dados de custos operacionais e simulação. /imoveis/aluguel-temporada

Disclaimer

Este artigo usa dados de fontes públicas verificáveis (CRECI-SP, Terracotta Ventures via Comércio SP, InfoMoney, Repórter Diário) e estimativas de mercado rotuladas como tal. Não existem dados oficiais de ocupação média por tipo de imóvel em Guarujá — as projeções de receita e ROI são estimativas baseadas em premissas conservadoras, explicitadas no texto. Valores de diárias, custos operacionais e comissões de plataforma podem variar significativamente conforme bairro, padrão do imóvel, sazonalidade e condições de mercado. Este conteúdo não constitui recomendação de investimento.

Depende do tipo, localização e gestão. Um apartamento de 2 quartos na Enseada, bem gerido pelo proprietário, pode gerar entre R$ 59.500 e R$ 72.850 brutos anuais (estimativa). Depois de descontar condomínio, IPTU, manutenção, limpeza, comissões e impostos, a renda líquida fica entre R$ 6.375 e R$ 21.122 — um ROI líquido de 1,6% a 5,3% sobre um imóvel de R$ 400.000. Se terceirizar com administradora, o ROI cai para ~2,2%. A estimativa de 12,7% ao ano (Terracotta Ventures) é bruta e não desconta custos operacionais.
A Terracotta Ventures estimou até 12,7% para imóveis de short-stay em Guarujá (janeiro de 2025). Porém a fonte não publica a metodologia: não informa se é bruta ou líquida, qual a taxa de ocupação assumida, nem quais custos foram descontados. Na simulação com custos reais (condomínio, IPTU, manutenção por maresia, limpeza, comissões, impostos), o ROI líquido fica entre 1,6% e 5,3%. Os 12,7% provavelmente representam rentabilidade bruta sem custos fixos nem vacância.
Os dados do CRECI-SP (Carnaval 2026) mostram que apartamentos compactos (1-2 dormitórios) em localização central tiveram as maiores altas de diária (+122,5% para 1 dormitório). Casas grandes no litoral sul tiveram queda de -42% a -45%. A tendência favorece apartamentos próximos da orla, com baixo custo fixo (condomínio menor), alta rotatividade e apelo para estadias curtas.
Sazonalidade extrema (80% da receita vem de 3-4 meses), custos de manutenção acelerados pela maresia, concorrência crescente (contratos de aluguel na Baixada cresceram 443% em 2023), dependência de avaliações em plataformas, e ausência de regulamentação consolidada sobre temporada em condomínios. O imóvel gera custo fixo o ano inteiro mas receita concentrada no verão e feriados.

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Fontes dos dados: IBGE (Censo 2022), SSP-SP (2023), INEP (2021), Prefeitura de Guarujá. Informações de caráter educativo e informativo.

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